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A casa do futuro já tem memória e ela começa no projeto de hoje

Esses dias no escritório estávamos atualizando um projeto que desenvolvemos em 2023, mas cuja obra só começa agora. Durante o alinhamento das medidas técnicas finais, percebemos que não bastava apenas ajustar números, precisávamos também renovar as imagens 3D que apresentamos aos nossos clientes.

Em 2023, utilizávamos outros programas de modelagem e renderização. Hoje, já contamos com o auxílio da IA na etapa de finalização de imagens e a diferença é visível. Mas além de deixar as imagens mais bonitas, tínhamos também a demanda de mostrar mudanças sutis que fariam diferença real na entrega. Algumas soluções que faziam sentido três anos atrás já não respondiam da mesma forma às necessidades de hoje.

Essas mudanças vieram, claro, embasadas no acúmulo de experiências. Três anos nos fizeram aprender muito em técnica, em materiais, em design. Mas para além disso, sentimos a necessidade de mudar pensando no jeito de morar. No quanto as tecnologias influenciaram não só a forma como nós, arquitetos, projetamos mas também a forma como nos comportamos como seres humanos. E surgiu aqui no escritório uma pergunta inevitável: como será a casa do futuro?

A mesma pergunta que a Casa Vogue fez

Essa mesma inquietação moveu a redação da Casa Vogue Brasil em uma das edições mais especiais de sua história: o número de cinquentenário da revista. Ao lado do diretor criativo Michell Lott, a equipe usou inteligência artificial não apenas como ferramenta estética, mas como uma lente para enxergar desejos que ainda não tinham forma. O resultado foi revelador: a casa imaginada tinha formas orgânicas, muita biofilia e memória afetiva. Como se a grande tendência do futuro fosse, na verdade, um retorno a uma reconexão com o que é da natureza biológica humana.

A própria reportagem sintetiza bem essa descoberta: “o futuro possui uma memória profunda.” Não é ruptura. É resgate.

E a ciência confirma essa intuição. Estudos recentes mostram que o design biofílico e a integração de elementos naturais como vegetação, luz natural e ventilação cruzada à arquitetura melhoram diretamente a qualidade do ambiente interno, reduzem o consumo de energia e têm efeitos concretos no bem-estar psicológico dos moradores. Não é estética por estética. É uma resposta do corpo a um ambiente que faz sentido para ele.

Como será a casa do futuro? — Foto: Michell Lott com IA

Como será a casa do futuro? — Foto: Michell Lott com IA

A dualidade que nos define

Vivemos uma oposição interessante. Caminhamos para um mundo cada vez mais tecnológico, usamos IA para nos auxiliar desde tarefas pequenas do dia a dia, até grandes programações e trabalhos dentro de empresas. Uma tecnologia que, de certa forma, afasta e dá a sensação de que é possível fazer tudo sozinho.

Mas ao mesmo tempo, vemos no mercado da arquitetura uma tendência ganhar cada vez mais força: trazer a natureza de volta para dentro de casa. O desenvolvimento de materiais que imitam texturas naturais com cada vez mais precisão, a valorização de objetos com história, uma arquitetura que cria memória e vínculo afetivo com quem habita.

Essa tensão já aparece inclusive nas ferramentas que usamos. Pesquisas mostram que sistemas de IA aplicados ao projeto residencial conseguem gerar plantas com arranjos mais eficientes com reduções no consumo de energia que chegam a 13% apenas pela reorganização inteligente dos espaços. A tecnologia otimiza. Mas o que ela otimiza, no fundo, é a nossa capacidade de criar espaços mais humanos. Mais conectados. Mais vivos.

A Casa Vogue resumiu bem esse paradoxo ao descrever a casa do futuro como um lugar onde “a automação e a natureza finalmente se abraçam.” Um organismo inteligente mas profundamente humano. Uma dualidade muito esperada, vinda de seres tão complexos como nós.

E a sua casa?

Você já imaginou como será a sua casa do futuro? E o que existe na sua casa hoje que já te aproxima dela?

Às vezes a resposta está em uma janela que você insiste em abrir de manhã, em um material que envelheceu bem e virou parte da sua história, em uma planta que resiste no canto da sala. O futuro, como nos mostrou a Casa Vogue, tem memória profunda. E o melhor projeto é aquele que honra quem você é e quem você quer se tornar.

Se essa conversa despertou algo em você sobre o seu próximo projeto, fale com a gente. Adoramos essas perguntas.